Missa de sétimo dia

09/02/1973

O DIA - SEXTA-FEIRA 9 de fevereiro - nº7587

Legenda da capa

Uma multidão, entre a qual nomes famosos do Rádio e da Televisão, compareceu, ontem, à missa de sétimo dia por alma do cantor Evaldo Braga, falecido há uma semana, em acidente na estrada próximo de Paraíba do Sul. Emocionados, os assistentes do ofício religioso ouviram o sermão do sacerdote, lembrando passagens da vida sacrificada do artista e, à saída, cantaram todos a música "Sorria", seu maior sucesso (PÁGINA 5)

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Legenda da foto: Pe. José Avelino pediu ao povo alegria, durante o sermão

Povo rezou por Evaldo Braga

Multidão lembrou o artista

cantando "Sorria" na igreja

Multidão de fãs, calculada em mais de três mil pessoas, acorreu à Igreja de São Gonçalo e São Jorge, na Rua da Alfândega, na manhã de ontem, para assistir à missa do cantor Evaldo Braga. Muita gente teve que ficar do lado de fora do templo, que estava superlotado, tornando-se, por isso, difícil o movimento de pedestres na esquina daquela artéria do centro com a Praça da República.

O ofício religioso, encomendado pela Philips onde Evaldo gravava, foi celebrado pelo reverendo José Avelino Quadra, que pediu no sermão, inspirado na alegria do artista:

- "Que hoje não seja um dia de tristeza!"

Atendendo ao seu apelo, ao término da missa os presentes cantavam a música "Sorria", cantada em coro, em homenagem ao falecido artista.

Presentes

Orlando Dias, Francklin Land, Adriana, o paulista João Geraldo Criti, Marcos Pitter, Oldair José, Zuzuca do Salguiro, Jaci Inspiração e César Saraiva (que compunha as músicas de Evaldo) formavam o grupo de artistas presentes, enquanto a gravadora esteve representada por Jairo Pires, que foi produtor de Evaldo Braga.

O reverendo José Avelino Quadra foi acolitado pelo padre Eurico Cavalcante, superintendente de ensino da Funabem ao tempo em que o cantor pertencia à instituição, que também mandou à missão de 40 alunos.

"Sorria"

Ao pronunciar o sermão, o padre José Avelino, que a todos impressionou pelas suas qualidades de comunicador, disse que o momento era para lembrar o jovem que cantava alegre, pedindo que fosse esquecido o acidente na vida de Evaldo Braga, que deveria ser lembrado apenas como padrão de estímulo para a mocidade, em cujas mãos está o futuro do País.

Afirmou que aquela é a igreja dos artistas e dos jovens, confessando-se sabedor de que, em outras igrejas estavam sendo celebradas missas pelo cantor e explicando que São Jorge era um santo jovem, que também derramara seu sangue pelos jovens.

Concluindo, acentuou que Evaldo Braga retornava cheio de alegria para um compromisso, mas que a máquina da vida é assim mesmo, colhendo-nos de surpresa. Todavia, não se deve colocar Deus nesse mio, por Deus Pai vai dar a Evaldo Braga a recompensa por haver cumprido seus compromissos como cantor, que alegrava a mocidade, dizendo: "Sorria, Sorria!"

Rosas e posters

A Gravadora Philips, que encomendou a missa de sétimo dia por alma do cantor, ornamentou a Igreja com jarros de rosas brancas, que foram levadas pelas fãs, as quais acenavam enquanto cantavam "Sorria" ao final da missa.

O ofício, iniciado às 10:30, foi acompanhado pelo coro da igreja, e, após a distribuição da comunhão, todos queriam fotografias do cantor tendo a relações públicas da Philips, Maggy Tocantins, distribuído às fãs alguns posters que levara para distribuir pela imprensa.

Houve tumulto, porque o número de fotografias não era suficiente para atender a todos.