Multidão e desmaios

02/02/1973

Cerca de duas mil pessoas, a maioria gente humilde, raros artista famosos, muitas mulheres e mocinhas acenando lenços brancos e cantando "Valsa do Adeus" foram ao Cemitério São João Batista, ontem, pela manhã, levar suas despedidas ao cantor Evaldo Braga, morto tragicamente, na última quarta-feira, num desastre de automóvel em Três Rios, Estado do Rio, acidente no qual faleceram, também, Ariel Morel Lina Medeiros, seu motorista, e, ontem, à tarde, o empresário Paulo César, após choque com uma carreta.

Um choque da Polícia Militar, que esteve presente ao velório, do cantor, na capela 2 do Cemitério São João Batista, e que acompanhou o esquife de Evaldo até a quadra 13, sepultura 28, onde ele foi enterrado, atuou várias vezes para impedir que fãs e amigos íntimos do "Ídolo Negro", como ele era conhecido, depredassem túmulos e jazigos, pois os desmaios, gritos histéricos e correrias se sucediam, provocando tumultos.
Velório
Todo o enterro de Evaldo Braga e de seu motorista foi custeado pela gravadora "Phonogram", onde ele gravava para o selo "Polydor". O velório começou na tarde de quarta-feira, com a visita de grande número de pessoas, inclusive cantores e cantoras, como Adilson Ramos, Maria de Fátima, músicos, divulgadores, funcionários de rádio e de televisão.
Apenas alguns parentes: o irmão Antônio (Pelé) Braga e o primo Ricardo Moisés Braga. A mãe adotiva, D. Eunice Vieira, não compareceu porque está muito velhinha e não tinha condições psicológicas para ir ao local.
Grande mesmo, além do número de fãs, foi o de coroas, contando-se mais de 20, com alguns nomes famosos, entre os quais o da cantora Eliana Pittman, da cunhada Ivete e sobrinhos, do Sistema Globo de Rádio, Rádio Tupi, Tvs e rádios, da Escola de Samba da Portela, Álvaro da Camélia, Adriana e Lilico, Chacrinha, diretores e autores da Sican, da "Polydor", da "Phonogram", entre outras. Diretores da gravadora, especialmente dos setores de produção e divulgação, compareceram.
Multidão e emoção
Por volta das 10 horas, o esquife de Evaldo Braga foi levado para o cemitério, em meio a grande emoção, em especial o seu irmão Antônio Braga, que não arredou pé um instante do velório. A multidão, a maioria de mulheres e mocinhas, muitas delas simples curiosas, pois comparecem a todo enterro de nomes famosos para "ver o movimento", acompanharam Evaldo Braga até sua sepultura.
Nessa ocasião a PM foi obrigada a intervir várias vezes, pois os desmaios se sucediam, correrias ameaçavam sepulturas, o tumulto era grande. Lenços brancos acenavam e um coro improvisado pela multidão cantou a"Valsa do Adeus", depois o bolero "Sorria", um dos sucessos de Evaldo. Mas ninguém foi preso durante as intervenções da polícia e ninguém apanhou.
Mesmo depois do sepultamento, grande número de pessoas permaneceu no local, apesar do sol quente e das dificuldades de movimentação.