No choque de veículos

01/02/1973

Rio - 01 de fevereiro de 1973 O DIA página 7

No choque de veículos

Cantor Evaldo Braga

morreu em Três Rios

O cantor Evaldo Braga e seu motorista Ariel Morel Lins Medeiros morreram, na manhã de ontem, na localidade de Alberto Torres, município de Três Rios, na divisa de Minas Gerais com o Estado do Rio, quando o TL em que viajavam, procedente de Belo Horizonte e com destino à Guanabara, chocou-se com uma carreta “Scânia Vabis”, placa HA 0553, de Barbacena. O acidente ocorreu às 7h30min. Evaldo e Ariel ainda foram levados com vida para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Três Rios, onde morreram. O empresário do artista - Paulo César -, e o motorista da carreta - Juraci Alves de Paula - encontram-se internados no mesmo hospital em estado grave.

Evaldo estivera em Belo Horizonte acertando detalhes para uma temporada na capital mineira e, completados os contatos, rumara para o Rio, quando a fatalidade o vitimou.

Velocidade

Segundo o perito Luís Hioti, da Delegacia de Três Rios, Evaldo Braga dirigia o TL de sua propriedade, placa GB RJ 5823 e desenvolvia grande velocidade. Numa das curvas da estrada foi de encontro à carreta, cujo motorista não teve culpa, uma vez que Evaldo trafegava na contra-mão.

Após o acidente, o cantor só viveu quarenta minutos, vários deles entre as ferragens do veículo sinistrado. Levado para o hospital, não resistiu à gravidade dos ferimentos recebidos e morreu, o mesmo ocorreu com o seu motorista. O chofer da carreta e o empresário Paulo César estão internados.

Quem era

Evaldo Braga nasceu no dia 28 de setembro de 1947, na cidade de Campos, no Estado do Rio, - “Infelizmente não tive a sorte de conhecer os meus pais, mas sei o nome de ambos: Evaldo e Benedita Braga. Eles não podiam me sustentar e me abandonaram”.

Uma senhora de nome Maria o apanhou no meio da rua do bairro do Caju e o levou para o Juiz de Menores. Como não houvesse vaga no Instituto local, foi transferido para o Rio e internado no Instituto Edson, dirigido pela Sra. Noêmia, do Serviço do Bem-Estar do Menor - “Fui criado no S.A.M. durante 20 anos. Quando saí para a vida, só tinha um sonho: cantar no rádio. Gravar discos”.

Evaldo conheceu muitas dificuldades para sobreviver. Foi engraxate dos artista da Rádio Mayrink Veiga e tornou-se um colecionador de promessas. Muitos prometiam ajudá-lo com uma chance ao microfone, mas, tudo não passava de conversa.

Foi o cantor Osmar Navarro - que também produzia discos na “Polydor” - quem lhe deu a chance de gravar e, posteriormente, o “disc-jockey” Roberto Muniz, já falecido, o ajudava bastante, apresentando-o em “shows” que realizava.

“Esses dois acreditaram em mim, e, em realidade, me ajudaram muito”.

Primeira gravação: “Dois Bobos”, de Osmar Navarro, e “Não Importa”, de Evaldo Braga e Carmem Lúcia.

Sucesso

Seguiram-se outras gravações e contratos com outras fábricas, como a RCA e a Philips, onde se encontrava preso agora por contrato e faturava um sucesso em todo o Brasil, chamado “Sorria, Sorria”.

Era o sonho realizado: ser um cantor de sucesso.

Sepultamento

O corpo do cantor chegou, ontem, à Guanabara, por volta da 17h30min, e encontra-se na capela número 2 do Cemitério de São João Batista, devendo o féretro ser realizado hoje, às 16 horas.

Procura

Evaldo Braga, em pleno sucesso, estava à procura de sua mãe, que não conhecia.

Costumava dizer:

- “Daria a minha vida para conhecê-la”.

Morreu sem saber dela.